Este blog é um espaço destinado a troca de experiências e conhecimentos, idéias e ideais que envolvem o Atendimento Educacional Especializado.
AEE
A Sala de Recursos Multifuncionais do Centro de Educação de Jovens e Adultos - CEJA Ana Vieira Pinheiro é um espaço onde o AEE- Atendimento Educacional Especializado acontece considerando as necessidades específicas do aluno para complementar e/ou suplementar a sua formação, identificando, elaborando e organizando recursos pedagógicos e de acessibilidade que favorecem a inclusão e eliminam as barreiras para a plena participação dos alunos com deficiência, fortalecendo sua autonomia na escola e fora dela.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Como Lidar com Pessoas com Deficiência.
10/04/2000 - Prodam-SP.Dicas para quando você encontrar uma pessoa com deficiência.
Faça isso e você verá o quanto é importante e enriquecedor aprendermos a conviver com a diversidade!
Muitas pessoas sem deficiências ficam confusas quando encontram uma
pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir
desconfortáveis diante do "diferente". Esse desconforto diminui e pode
até mesmo desaparecer quando existem muitas oportunidades de convivência
entre pessoas com e sem deficiência.Não faça de conta que a deficiência não existe. Se você se relacionar com uma pessoa com deficiência como se ela não tivesse uma deficiência, você vai ignorar uma característica muito importante dela. Dessa forma, você não estará se relacionando com ela, mas com outra pessoa, uma que você inventou, que não é real.
Aceite a deficiência. Ela existe e você precisa levá-la na sua devida consideração. Não subestime as possibilidades, nem superestime as dificuldades e vice-versa.
As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas. A isso chamamos de empoderamento das pessoas com deficiência, ou seja, ao fato de tomarem o poder de suas próprias vidas.
Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa sem deficiência. Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades e, por outro lado, poderá ter extrema habilidade para fazer outras coisas. Pessoas com deficiência são iguais na diferença que as caracterizam.
A maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder perguntas, principalmente aquelas feitas por crianças, a respeito da sua deficiência e como ela realiza algumas tarefas. Mas, se você não tem muita intimidade com a pessoa, evite fazer muitas perguntas muito íntimas.
Quando quiser alguma informação de uma pessoa com deficiência, dirija-se diretamente a ela e não a seus acompanhantes ou intérpretes.
Sempre que quiser ajudar, ofereça ajuda. Sempre espere sua oferta ser aceita antes de ajudar. Sempre pergunte a forma mais adequada para fazê-lo. Mas não se ofenda se seu oferecimento for recusado. Pois, nem sempre as pessoas com deficiência precisam de auxílio. Às vezes, uma determinada atividade pode ser mais bem desenvolvida sem assistência.
Se você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma coisa solicitada por uma pessoa com deficiência, sinta-se livre para recusar. Neste caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar.
As pessoas com deficiência são pessoas como você. Têm os mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos.
Você não deve ter receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja com naturalidade e tudo vai dar certo. Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.
Pessoas Cegas ou com Deficiência Visual.
Nem sempre as pessoas cegas ou com deficiência visual precisam de ajuda, mas se encontrar alguma que pareça estar em dificuldades, identifique-se, faça-a perceber que você está falando com ela e ofereça seu auxílio. Nunca ajude sem perguntar antes como deve fazê-lo.Caso sua ajuda como guia seja aceita, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado ou em seu ombro, conforme a preferência da pessoa a ser guiada. Ela irá acompanhar o movimento do seu corpo enquanto você vai andando. É sempre bom você avisar antecipadamente a existência de degraus, pisos escorregadios, buracos e obstáculos em geral durante o trajeto. Num corredor estreito, por onde só é possível passar uma pessoa, coloque o seu braço ou ombro para trás, de modo que a pessoa cega possa continuar seguindo você.
Para ajudar uma pessoa cega a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira e colocar a mão dela sobre o encosto, informando se esta tem braço ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha.
Ao explicar direções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível, de preferência, indique as distâncias em metros ("uns vinte metros a sua frente").
Algumas pessoas, sem perceber, falam em tom de voz mais alto quando conversam com pessoas cegas. A menos que a pessoa tenha, também, uma deficiência auditiva que justifique isso, não faz nenhum sentido gritar. Fale em tom de voz normal.
Ao responder uma pergunta à uma pessoa cega, evite fazê-lo com gestos, levantando e abaixando a cabeça para dizer sim e mexendo para à direita e para à esquerda para negar ou dizer não, nem mesmo aponte algum lugar com seu dedo indicador, lembre-se sempre que a pessoa cega não está vendo seus gestos.
Por mais tentador que seja acariciar um cão-guia, lembre-se de que esses cães têm a responsabilidade de guiar um dono que não enxerga. O cão nunca deve ser distraído do seu dever de guia com afagos, alimentos etc.
As pessoas cegas ou com visão subnormal são como você, só que não enxergam. Trate-as com o mesmo respeito e consideração que você trata todas as pessoas. No convívio social ou profissional, não exclua as pessoas com deficiência visual das atividades normais. Deixe que elas decidam como podem ou querem participar. Proporcione às pessoas cegas ou com deficiência visual a mesma chance que você tem de ter sucesso ou de falhar.
Fique a vontade para usar palavras como "veja" e "olhe". As pessoas cegas as usam com naturalidade. Quando for embora, avise sempre o deficiente visual, pois ele pode não perceber a sua saída e continuar a falar contigo
Pessoas com Deficiência Física.
É importante saber que para uma pessoa sentada é incômodo ficar olhando para cima por muito tempo, portanto, ao conversar por mais tempo que alguns minutos com uma pessoa que usa cadeira de rodas, se for possível, lembre-se de sentar, para que você e ela fiquem com os olhos no mesmo nível.A cadeira de rodas (assim como as bengalas e muletas) é parte do espaço corporal da pessoa, quase uma extensão do seu corpo. Agarrar ou apoiar-se na cadeira de rodas é como agarrar ou apoiar-se numa pessoa sentada numa cadeira comum. Isso muitas vezes é simpático, se vocês forem amigos, mas não deve ser feito se vocês não se conhecem.
Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa. Empurrar uma pessoa em cadeira de rodas não é como empurrar um carrinho de supermercado. Quando estiver empurrando uma pessoa sentada numa cadeira de rodas e parar para conversar com alguém, lembre-se de virar a cadeira de frente para que a pessoa também possa participar da conversa.
Ao empurrar uma pessoa em cadeira de rodas, faça-o com cuidado. Preste atenção para não bater nas pessoas que caminham à frente. Para subir degraus, incline a cadeira para trás para levantar as rodinhas da frente e apoiá-las sobre a elevação. Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de marcha à ré, sempre apoiando para que a descida seja sem solavancos. Para subir ou descer mais de um degrau em sequência, procure saber da existência de rampas, caso essas não existam, será melhor pedir a ajuda de mais uma pessoa.
Se você estiver acompanhando uma pessoa com deficiência que anda devagar, com auxílio ou não de aparelhos ou bengalas, procure acompanhar o passo dela.
Mantenha as muletas ou bengalas sempre próximas à pessoa com deficiência. Se achar que ela está em dificuldades, ofereça ajuda e, caso seja aceita, pergunte como deve fazê-lo. As pessoas têm suas técnicas pessoais para subir escadas, por exemplo, e, às vezes, uma tentativa de ajuda inadequada pode até mesmo atrapalhar. Outras vezes, a ajuda é essencial. Pergunte e saberá como agir e não se ofenda se a ajuda for recusada.
Se você presenciar um tombo de uma pessoa com deficiência, ofereça ajuda imediatamente. Mas nunca ajude sem perguntar se e como deve fazê-lo.
Esteja atento para a existência de barreiras arquitetônicas quando for escolher uma casa, restaurante, teatro ou qualquer outro local que queira visitar com uma pessoa com deficiência física.
Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar, podem fazer movimentos involuntários com pernas e braços e podem apresentar expressões estranhas no rosto. Não se intimide com isso. São pessoas comuns como você. Geralmente, têm inteligência normal ou, às vezes, até acima da média.
Se a pessoa tiver dificuldade na fala e você não compreender imediatamente o que ela está dizendo, peça para que repita. Pessoas com dificuldades desse tipo não se incomodam de repetir se necessário para que se façam entender.
Não se acanhe em usar palavras como "andar" e "correr". As pessoas com deficiência física empregam naturalmente essas mesmas palavras.
Quando você encontrar um Paralisado Cerebral, lembre-se que ele tem necessidades específicas, por causa de suas diferenças individuais. Para lidar com esta pessoa, temos as seguintes sugestões:
- É muito importante respeitar o ritmo do PC, usualmente ele é mais vagaroso no que faz, como andar, falar, pegar as coisas, etc.
- Tenha paciência ao ouvi-lo, a maioria tem dificuldade na fala. Há pessoas que confundem esta dificuldade e o ritmo lento com deficiência cognitiva ou intelectual.
- Não trate o PC como uma criança ou incapaz.
- Lembre-se que o PC não é um portador de doença grave ou contagiosa, a paralisia cerebral é fruto da lesão cerebral, ocasionada antes, durante ou após o nascimento, causando desordem sobre os controles dos músculos do corpo. Portanto, não é doença e tampouco transmissível. É uma situação.
Pessoas Surdas ou com Deficiência Auditiva.
Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, outras não.Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque, levemente, em seu braço. Quando estiver conversando com uma pessoa surda, fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas não exagere. Use a sua velocidade normal, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar. Use um tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para falar mais alto. Gritar nunca adianta. Fale diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela. Faça com que a sua boca esteja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial. Usar bigode também atrapalha. Quando falar com uma pessoa surda, tente ficar num lugar iluminado. Evite ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta ver o seu rosto.
Se você souber alguma linguagem de sinais, tente usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas.
Seja expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos e o movimento do seu corpo serão excelentes indicações do que você quer dizer.
Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual, se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.
Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se tiver dificuldade para compreender o que ela está dizendo, não se acanhe em pedir para que repita. Geralmente, as pessoas surdas não se incomodam de repetir quantas vezes for preciso para que sejam entendidas.
Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O importante é se comunicar. O método não é tão importante, o importante é a comunicação.
Quando a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete, dirija-se à pessoa surda, não ao intérprete.
Pessoas com Deficiência de oralização.
Algumas pessoas mudas preferem a comunicação escrita, algumas usam linguagem em código e outras preferem códigos próprios. Estes métodos de comunicação alternativapodem ser lentos, requerem paciência e concentração. Talvez você tenha que se encarregar de grande parte da conversa.Tente lembrar que a comunicação é importante. Você pode ir tentando com perguntas cuja resposta seja sim/não. Se possível ajude a pessoa muda a encontrar a palavra certa, assim ela não precisará de tanto esforço para passar sua mensagem. Mas não fique ansioso, pois isso pode atrapalhar sua conversa.
Se a dificuldade de comunicação for extrema, como na surdocegueira, conheça as dicas no link abaixo: Como lidar com um surdocego?
Pessoas com Deficiência Intelectual.
Você deve agir naturalmente ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência intelectual. Trate-as com respeito e consideração. Se for uma criança, trate como criança. Se for adolescente, trate-a como adolescente. Se for uma pessoa adulta, trate-a como tal. Não trate como criança aquelas pessoas que não o sejam.Não as ignore. Cumprimente e despeça-se delas normalmente, como faria com qualquer pessoa. Dê atenção a elas, converse e vai ver como será divertido. Seja natural, diga palavras amistosas.
Não superproteja. Deixe que ela faça ou tente fazer sozinha tudo o que puder. Ajude apenas quando for realmente necessário. Não subestime sua inteligência. As pessoas com deficiência intelectual levam mais tempo para aprender, mas podem adquirir muitas habilidades intelectuais e sociais.
Lembre-se: o respeito está em primeiro lugar e só existe quando há troca de ideias, informações e vontades. Por maior que seja a deficiência, lembre-se da eficiência da pessoa que ali está.
As pessoas com deficiência intelectual, geralmente, são muito carinhosas. Deficiência intelectual não deve ser confundida com doença mental.
Se você chegou até aqui, certamente se importa
com o assunto. A maior barreira não é arquitetônica, nem de comunicação,
mas a falta de informação e preconceitos. Compartilhe deste texto com
seus amigos.
Fonte:http://www.bengalalegal.com/lidar
Consulta Pública - inclusão das questões relativas à pessoa com deficiência nos Objetivos do Milênio
Rede Saci
12/03/2013
12/03/2013
Dia 23 de setembro a ONU vai realizar a primeira reunião de Altas Autoridades para discutir a inclusão das questões relativas às pessoas com deficiência nos Objetivos do Milênio (um conjunto de metas para um mundo melhor).
da Redação
Está aberta até o dia 28 de março uma consulta on-line EM PORTUGUÊS para ouvir a população sobre o tema.
Convidamos todos os interessados no assunto a
colaborarem com suas experiências e fazerem sugestões que possam
contribuir para uma sociedade mais inclusiva.
Clique aqui para ter acesso à consulta http://www.worldwewant2015.org/node/315364
VER COM PALAVRAS
Lívia Maria Villela de Mello MottaQuem audiodescreve vê com palavras.
Vê, observa, registra,
Transforma imagens em palavras...
Para quem não enxerga poder
Peça, filme, desenho,
Até ópera assistir...
E ver com palavras
O que a imagem quer mostrar.
Quem não enxerga
Pode saber que o moço está de preto
E a moça de amarelo...
Que o homem de barbas grisalhas
Entrou e o pacote sobre a mesa colocou...
O que, quem, como, onde e quando
Ganham cores e formas.
As palavras vão chegando
E o entendimento completando.
Um vê, o outro escuta,
E com palavras podem enxergar,
Abrir a janela e espiar...
Cultura e informação acessar.
Quem audiodescreve vê com palavras
E quem assiste também vê com palavras.
Fonte:http://www.vercompalavras.com.br/poema-ver-com-palavras
terça-feira, 12 de março de 2013
Orientando um deficiente visual no uso do computador
O
primeiro contato do deficiente visual com o computador é um momento
cercado de múltiplos sentimentos, misturando insegurança com
curiosidade, despertando medo e ansiedade, e acima de tudo uma vontade
imensa de conquistar a independência para realizar tarefas comuns ao
dia-a-dia, mas que para ele, até então, não seriam possíveis sem a
mediação de um vidente, o que tornam suas ações restritas.
O computador precisa ser apresentado em sua totalidade, não como algo
intocável, cuja fragilidade não permite explorações, mas como um objeto
que esteja a serviço do homem, uma ferramenta que mereça ser tocada, ser
experimentada em suas diversas características físicas ou operacionais.
O deficiente visual não precisa ter medo do computador e, para isso, o
professor/mediador pode tentar criar um clima de descobertas,
propiciando esse contato e essa aproximação, bem como estabelecer uma
relação de segurança e confiança entre ambos:
usuário/mediador/equipamento.
A partir do reconhecimento da estrutura física do computador, um
diálogo torna-se fundamental, para traçar metas, objetivos, finalidades,
procurando compreender o porquê e o para quê esse novo conhecimento se
aplica no dia-a-dia desses usuários.
Muitas ações são essenciais e dependem da etapa de aprendizado que esse
educando se encontra, podendo aliar escrita/leitura do código Braille
às funções do software ou apenas inserir o comando de voz a quem já
domine a língua escrita ou, ainda, substituir o visual pelo áudio no
caso de adultos já familiarizados com o mundo digital. E, uma outra
oportunidade seria a utilização do computador para
alfabetização/reabilitação no caso de experiências sem sucesso com o
código Braille. Em quaisquer situações o uso do teste do teclado é
insubstituível, e em certos casos podemos introduzir algumas marcas
específicas no teclado, como etiquetas em Braille.
Conhecer a posição das teclas, identificar o som que cada uma produz
(maiúscula e minúscula), até mesmo medir a força/pressão dos dedos para
teclar é algo de extremo valor no início do aprendizado em informática.
Posteriormente podemos navegar em seus menus, apresentando as opções do
programa, leitor de documentos, editor de texto, jogos, entre outros.
Gradativamente iremos ampliando essas explorações de acordo com o grau
de dificuldade e com o desempenho de cada um diante das novas ações que
estão sendo implementadas. O leitor de documentos é um dos aplicativos
de maior importância para a familiarização da voz (pronúncia de
palavras, leitura de frases, pontuação). Nessa etapa surge uma enorme
dificuldade para compreender o que se fala, podendo diminuir as dúvidas
de acordo com o uso. Quanto mais se escuta mais comum a voz se apresenta
e a leitura surge com naturalidade.
O editor de texto é outro momento para explorar a digitação, assim como diferentes funções dentro do aplicativo.
Jogos e utilitários podem servir como apoio a construção dos
conhecimentos em Dosvox. Uma outra observação pertinente ao tema, é a de
que, no Dosvox, podemos utilizar diferentes caminhos para se chegar ao
mesmo lugar, tornando-o ainda mais dinâmico. Basta esquecermos um dos
caminhos que logo recorremos a outro pra substituir a lacuna que o
esquecimento causou.
O computador pode e deve ser visto como uma ferramenta cognitiva que
facilita a estruturação do trabalho, viabilizando a descoberta,
oferecendo condições propícias para a construção do conhecimento.
Assim, a "informática" não deve ser vista como uma substituição do
professor como mediador de um processo. É uma ferramenta que precisa ser
utilizada a favor desse processo de ensino/aprendizagem e não contrário
a ele. Estamos vivendo essa transição e, o "deficiente visual" também
tem a oportunidade de estar cada vez mais próximo desse recurso,
participando dessa evolução.
O acesso à informação pelo deficiente visual, até o surgimento de um
sistema que possibilitasse sua interação com o computador, estava
restrito ao uso do Sistema Braille, método essencial na etapa de
alfabetização, na qual o contato com a palavra escrita, sua forma
gráfica e distribuição no papel são essenciais para o processo. Porém o
isolamento do deficiente visual, sobretudo adultos em processo de
escolarização, reabilitação e profissionalização estava limitado aos
seus pares, em que o Braille só permitia a comunicação entre os que o
dominavam ou, através de transcrições dependendo de terceiros para
atingir tal finalidade.
Por outro lado, as informações via áudio são falhas no sentido em que
não se possibilita navegar no texto letra a letra, saber como as
palavras são escritas, retornar e avançar com rapidez um determinado
trecho.
Para isso, o Dosvox veio trazer a liberdade e independência que o
deficiente visual precisava, autonomia esta que está sendo conquistada,
aprimorada e reconstruída dia-a-dia com as constantes transformações
tecnológicas, pois num momento em que o mundo se encontra conectado
constantemente com a informação o deficiente visual ganha seu espaço não
só para a conquista de sua comunicação, mas uma forma eficaz de
inclusão escolar, profissional e social, podendo ele interagir com o
mundo, ir além dos limites que sua visão alcança...
É ampliar suas possibilidades não apenas de interação homem/máquina, mas, sobretudo da interação entre todos nós!!!
Construir e reconstruir espaços acessíveis sejam eles dentro ou fora do
ambiente educativo, tem como objetivo atingir um número cada vez maior
de pessoas.
Devemos priorizar as múltiplas maneiras que os Deficientes Visuais
apresentam de perceber e relacionar-se com o mundo, não evidenciando as
deficiências, longe da super proteção e aproximando-se de uma maior
valorização do ser humano. Percebemos, nessa longa caminhada, os
desafios e obstáculos que temos que vencer dia-a-dia, porém não estamos
sozinhos...
Trabalhar com Educação Especial/Inclusão Escolar é algo muito
gratificante, até porque vivi e vivencio isso na prática e, a partir
dessas experiências, aliadas à uma formação teórico/prática, tenho a
missão de transformar as dificuldades em superação.
Fonte: Planeta educação - texto Luciane Maria Molina Barbosa
Audiodescritor em Foco - Entrevista com Lívia Motta

Organizou junto
com Paulo Romeu Filho o primeiro livro brasileiro sobre o tema: AUDIODESCRIÇÃO: TRANSFORMANDO IMAGENS EM
PALAVRAS, e os dois Encontros Brasileiros de Audiodescrição.
1 -
Como você se tornou audiodescritor? Que importância a audiodescrição tem na sua
vida?
Lívia: A audiodescrição foi entrando e ocupando
espaço, gradualmente, em minha vida profissional. Hoje, posso dizer que
trabalho full time com audiodescrição
nos mais diversos gêneros de espetáculos e produtos audiovisuais, além de
descrição de livros didáticos e paradidáticos, cursos de preparação de
audiodescritores e cursos para professores sobre o uso da audiodescrição na
escola como ferramenta pedagógica.
A primeira vez que ouvi falar sobre o
recurso foi em 2003, quando estava fazendo parte do meu doutorado na
Universidade de Birmingham, no Reino Unido. Ao visitar uma loja do RNIB - Royal National Institute of the Blind,
em Londres, chamou minha atenção os vários títulos de filmes com video description; na época, um maior
número de vídeos em VHS do que em DVD. Fiquei fascinada, busquei mais
informações e comprei um livrinho sobre video
description.
É bom lembrar que desde 1999, que eu já
trabalhava com pessoas com deficiência visual, ensinando inglês, o que motivou
minha entrada no programa de doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da
Linguagem da PUC de São Paulo para pesquisar e desenvolver esse tema: o ensino-aprendizagem
de inglês para alunos cegos e com baixa visão na perspectiva da teoria da
atividade. Penso que esse contato mais estreito com pessoas com deficiência
visual foi essencial para a minha formação em audiodescrição, minha motivação
em aprender, em conhecer mais.
De volta ao Brasil, dei início ao estudo
sistemático sobre o recurso, principalmente, porque aqui já se começava a falar
sobre ele. Fiz minha primeira audiodescrição para minha amiga e na época minha
aluna de inglês, Jucilene, que precisava assistir a um filme para um trabalho
na faculdade.
Também participava ativamente do Grupo
Terra, criado por Isabela Abreu e Ricardo Panelli, grupo que incentivava a
inclusão de pessoas com deficiência visual pelo contato com a natureza, no qual
percebíamos, a cada dia, a importância da descrição e incentivávamos sua
prática. Desenvolvemos, eu e Isabela, em 2005, um projeto para o Instituto
Vivo, de inclusão cultural para o Teatro Vivo, que já dispunha de aparelhos de
tradução simultânea, o qual foi o embrião de um grande projeto de
acessibilidade cultural que durante 6 anos implementou, sistematicamente, ações
de acessibilidade comunicacional no Teatro Vivo, principalmente, e em muitas
outras cidades e estados brasileiros. Uma oportunidade fantástica de crescer
como audiodescritora, de fazer a audiodescrição de muitas e muitas peças de
teatro, filmes e óperas, muitas óperas. E poder aproximar as pessoas com
deficiência visual das artes cênicas, do mundo dos espetáculos, tornar a
audiodescrição conhecida de muitos.
Tenho estudado e trabalhado com os mais
diversos gêneros de espetáculos e produtos audiovisuais, e pretendo
desenvolver, em breve, meu projeto de pós-doutorado sobre a audiodescrição em
espetáculos de dança.
2 – Na
sua opinião, o que a AD representa para seus usuários? O que pode provocar na
vida dessas pessoas?
Lívia: Eu sempre digo que a audiodescrição é a arte
de transformar imagens em palavras, o que abre muitas janelas de mundo e para o
mundo para as pessoas com deficiência visual. O recurso permite o acesso à
cultura e à informação em igualdade de oportunidades. É assistir e poder
entender, discutir, conversar a respeito, criticar, apreciar o produto
audiovisual. A grande maioria das pessoas com deficiência visual não assiste a
filmes, peças ou outros espetáculos com frequência, principalmente, pela falta
de acessibilidade. Ir a uma peça de teatro ou a outro espetáculo e sair de lá
com a incômoda sensação de incompletude, acaba afastando a grande maioria.
A audiodescrição traz inúmeros benefícios
para os seus usuários, além da inclusão cultural, social e escolar, e a
proximidade com as artes, é um instrumento que desperta a curiosidade para
determinados temas, a vontade de estudar, pesquisar, conhecer mais; permitindo
que o indivíduo estabeleça e construa ligações, contribuindo, dessa forma, para
o processo de aprendizagem. Quanto mais as pessoas com deficiência participarem
das atividades sociais, escolares e culturais em igualdade de oportunidades ou
seja, com acessibilidade, mais poderão se inserir na sociedade como cidadãs.
Tenho percebido que quando as pessoas com
deficiência visual experimentam assistir a um espetáculo ou a um produto
audiovisual com audiodescrição, elas já não querem mais ficar sem o recurso.
Percebem a riqueza de informações, os muitos significados que estão presentes
nas imagens, nos cenários, nos figurinos, na iluminação, no deslocamento da
câmera, na troca de olhares sem palavras.
3 –
Quais as maiores dificuldades e quais as maiores alegrias em ser audiodescritor?
Lívia: A maior alegria para mim é poder perceber a
emoção que vem pelas palavras. Repito aqui o que eu disse na abertura do 2º
Encontro Nacional de Audiodescrição, realizado em Juiz de Fora, em dezembro de
2012: Para um audiodescritor, não tem
coisa melhor do que poder ouvir as risadas conjuntas da plateia se deliciando
com determinadas cenas ou observar as faces emocionadas, alguma lágrima teimosa
que escorre pelo canto do olho do espectador. É nesse momento que entendemos o
poder das palavras que traduzem a beleza ou a rudeza das imagens, a sutileza
das expressões fisionômicas, do gestual e de tantos outros detalhes. É nesse
momento também que percebemos a nossa responsabilidade como profissionais da
audiodescrição.
As dificuldades que encontramos referem-se,
muitas vezes, ao pouco conhecimento sobre as especificidades da audiodescrição
por quem contrata o serviço ou pelas empresas de locação de equipamentos. Mesmo
com o cuidado de informar, passar detalhes importantes antes dos eventos, ainda
nos deparamos com algumas situações que acabam interferindo na qualidade do
trabalho.
4 - Você
concorda com a ideia de que a AD, mais do que informar, deve proporcionar que o
usuário usufrua e sinta as sensações do que é descrito? Você acredita que a
audiodescrição além de um recurso de acessibilidade seja também uma produção
cultural?
Lívia: Sem dúvida, a audiodescrição é um
instrumento que possibilita a experiência estética, a fruição da arte e, para
isso, é necessário que o texto descritivo esteja em harmonia com a obra, com o
gênero, usando a terminologia adequada. Cada produto, seja ele uma exposição,
peça, filme ou evento, exige do audiodescritor, estudo e pesquisa, um
verdadeiro mergulho, que permita um conhecimento profundo da obra.
5 –
O mundo está cada vez mais visual, e se levarmos em conta que a visualidade é a
matéria-prima da audiodescrição, ainda há muito a ser explorado nesse campo.
Junto a isso, temos a ampliação e difusão dos produtos e políticas culturais
para acessibilidade por parte dos governos e da sociedade civil. Diante desse
cenário, quais desafios você acha que devem ser enfrentados para expandir a
audiodescrição, tanto em quantidade como em qualidade?
Muito já caminhamos, considerando que a
audiodescrição é uma prática nova no Brasil, com apenas 10 anos da primeira
apresentação com o recurso. Já foram muitos e muitos filmes, peças de teatro,
óperas, congressos, seminários, exposições, espetáculos de dança, missas,
eventos sociais tais como casamentos, chá de bebê, exame de ultrassom e até um
parto, tudo isso com audiodescrição, formando uma plateia nova, de espectadores
cada vez mais ávidos por produtos acessíveis. Mas, ainda precisamos de
políticas públicas que determinem a obrigatoriedade do uso do recurso em
teatros e outros espaços culturais, além da ampliação do número de horas na
televisão. E outro aspecto importante para garantir a qualidade da
audiodescrição brasileira, refere-se à formação dos audiodescritores: que sejam
implementados cursos de longa duração, de pós-graduação, de aperfeiçoamento, e
não somente cursos de extensão, como os que têm sido oferecidos até hoje, e que
não são suficientes para a formação efetiva de audiodescritores.
........
Entrevista: Felipe Mianes
fonte: http://arteficienciavisual.blogspot.com.br/2013/01/audiodescritor-em-foco-entrevista-com_22.html
Audiodescrição: assunto esquentou nos últimos meses e o debate não se limita ao Congresso
Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de
lei (PL 4248/12) que quer tornar obrigatório o uso de audiodescrição em
filmes exibidos no cinema, nos canais de televisão (abertos e fechados) e
nos que estão disponíveis nas locadoras. O assunto esquentou nos
últimos meses e o debate não se limita ao Congresso.
Um dos porta-vozes do movimento pela Audiodescrição
no Brasil, Paulo Romeu Filho, explica a importância do projeto de lei
apresentado pelo deputado José Chaves. "É extremamente necessária a Lei
proposta. Queremos assistir a filmes no Cinema e, pra isso, precisamos
de audiodescrição", diz. Já existe Lei implementada sobre o uso de
audiodescrição na televisão. A Lei aprovada durante o ministério de
Hélio Costa prevê duas horas de programação, por semana, com
audiodescrição na televisão aberta. Mas a experiência de sair de casa e
desfrutar de cultura, não é garantida por tal lei.
A audiodescritora Lívia Mota trabalha por essa
inclusão. Formada em lingüística, pela PUC, se especializou em dar aulas
para cegos e, durante doutorado na Inglaterra, teve contato com a
Audiodescrição. De volta ao Brasil, desenvolveu o próprio trabalho e
hoje é um dos principais nomes da profissão no país. "É uma atividade
apaixonante que lhe permite desenvolver um senso de observação incrível.
É a arte de transformar imagem em palavras", conta.
Lívia trabalhou na pré estreia do filme Colegas, do
diretor Marcelo Galvão. A sessão para convidados contou com
audiodescrição. Na plateia, pessoas com deficiência visual e pessoas com
deficiência intelectual puderam acompanhar o detalhamento das cenas por
meio de fones de ouvidos.
Muitos dos espectadores se emocionaram ao perceber a
emoção dos convidados ilustres. Para Lívia, o impacto de uma ação como
esta na vida dessas pessoas é enorme: "elas se sentem iguais, com seus
direitos respeitados".
Antes dessa ocasião, Colegas já havia realizado uma
sessão especial com audiodescrição no Cine Sabesp, que ficou lotada. O
sucesso das exibições, para ela, é natural. "Quando existem produtos com
acessibilidade, as pessoas aproveitam", diz.
Com o projeto de Lei sendo discutido em Brasília e a
demanda cada vez maior por obras audiovisuais acessíveis às pessoas com
deficiência, o mercado de Audiodescrição só tende a crescer. Mesmo
assim, somente agora foi reconhecida a profissão de "audiodescritor" e
ainda são poucos os cursos de formação desses profissionais. "Estamos
trabalhando para que sejam abertos novos cursos e, mais do que isso, que
seja uma especialização, uma pós graduação com horas aulas suficientes
para formar um bom audiodescritor", conta Lívia.
Uma vitória já foi alcançada nesse sentido. Em agosto
desse ano, tem início o curso de pós-graduação em Audiodescrição na
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que será ministrado com 300
horas a distancia e 60 horas presenciais. Mas se você se interessou
pela profissão e mora longe da cidade mineira, também pode procurar
cursos perto de você. No site da Lívia você pode saber mais sobre Audiodescrição e achar informações sobre cursos em andamento. Passa lá!
Fonte: Tela Brasil – O portal de formação e informação sobre o universo audiovisual
MULHERES
MULHERES, DIREITOS HUMANOS HOJE E SUA EXCLUSÃO, em tempos pastorais...
Imagem publicada - uma
fotografia em preto & branco de minha autoria. Eu a fiz em uma esquina do
centro de Campinas, perto de uma Faculdade de Direito, onde se lê como aviso de
trânsito: PARE. E, sendo colada, por
algum cidadão ou cidadã, logo abaixo, as palavras: “de ser indiferente”. Um
apelo, criativo, necessário e urgente: PARE DE SER INDIFERENTE.
“Trespasse as montanhas, em
vez de escalá-las, escave a terra em vez de aplainá-la, abra buracos no espaço
em vez de mantê-lo uniforme, transforme a Terra em um queijo suíço”.
Gilles Deleuze e Félix Guattari (Mil Platôs – Mille Plateaux)
Há
uma indiferença massificada para a afirmação de que somos des-iguais, quando se
reflete sobre as condições da maioria das mulheres e seus Direitos Humanos. Temos, porém de reconhecer
que nessa invenção do Século XX: os Direitos Humanos, ainda não aprendemos muito
sobre o feminino e suas multiplicidades. Mas ficamos sabendo, impotentes, de suas violações e vulnerações.
Estive
forçado pelas minhas limitações humanas, assim como por um triste olhar sobre
como somos, como estamos e para onde caminhamos, in-diferentes, afastado do exercício
desta necessidade e urgência de escrever.
Somente
a minha própria re-leitura, olhando para o Feminino em nós, relembrando que o
ÚTERO É O MUNDO E O MUNDO É UM ÚTERO, é que decidi me forçar a “pena” árdua de
usar a pena, como diriam os que se escreviam as cartas de papel e tinta há
alguns séculos atrás.
Os
escritos indignados nem sempre trazem a força do que desejamos colocar ou expressar
através deles.
Hoje,
08 de março de 2013, estamos vendo como é possível a “venda”, sob o modelo
“utilitarista’’ do mundo capitalístico, aquilo que também pareceria invendável:
os direitos humanos.
Uma
venda que também pode ser dita como a mesma que impede a Justiça de enxergar
claramente e “direito” os nossos direitos sendo aviltados... A mesma Senhora
Vetusta que, por força desses vedamentos e pelo andar da carruagem da História
do mundo, caminha a passos rápidos em direções mais destras do que sinistras.
Um
pastor, que não é de rebanhos não dóceis, foi levado como oferta política para
a condução dos Direitos Humanos e das MINORIAS, no Planalto Central. As
Minorias, aquelas que se confundem com as marginalizações, foram excluídas em
uma “eleição” a portas fechadas.
E, para dentro de um espaço dito democrático,
mesmo que com as portas e os ouvido fechados aos protestos, sob contenção, do
lado de fora, o Deputado Federal Marco Feliciano foi “ungido” como presidente
da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.
Lá fora gritavam deitados no chão, os expulsos
brasileiros e brasileiras: - NÃO PODEMOS CAIR NESSA CONTRADIÇÃO ESTATAL; UM
RACISTA, UM HOMOFÓBICO NÃO TEM COMO SE DIZER E AFIMAR UM DEFENSOR DESSES DIREITOS, AGORA, POR ELE
BEM- DITOS: HUMANOS. Assistimos a mais
uma encenação, no ventre dos Poderes, forjada evangélica e macro politicamente
E, caros amigos e amigas, que me desculpem, se
não entendi. O Pastor me/nos pede uma chance para provar sua capacidade de nos
defender?
Estou
nesses dias Marco Felicianos de Cristandades Falsas, embora descontente e
indignado, refletindo e repensando como homenagear as mulheres.
O
calor gerado pelas manifestações contrárias a este pastor, que não é de cabras
não cegas, me fez desejar que a DOÇURA OU A FORÇA FÊMEA, incluída em nossos
corpos e mentes, me possuíssem e reinstalassem meu desejo de outro mundo
possível. Um mundo da afirmação de nossos devires-mulher.
Ficamos
todos e todas, muito desiludidos? Talvez sim, no primeiro choque com a notícia.
E, após uma reflexão das minorias como potências, NÃO. Somos cientes de que as
alianças macropolíticas encenadas em nossas CÂMARAS, das municipais até as
federais, sempre foram urdidas para a manutenção de uma ORDEM e de um PROGRESSO.
Há e houve, entretanto, em nossa história
democrática as criações de brechas, rachaduras moleculares e os rizomas, que
espalhando indignação ou conscientização geram e geraram os pequenos furos
sociais, as linhas de fuga, por onde a liberdade se instalou e pode ser
vivenciada.
O
dia 08 rememora as mulheres que cruzaram seus braços e decretaram que não mais
iriam tecer ou fiar. Foi há mais de um século e meio, em Nova Iorque, na busca
da sonhada igualdade de condições de trabalho e das horas de fiação sob o
comando de homens.
As
mulheres, com sua força para fiarem, tecerem e, como as Penélopes, desfazerem
seus próprios tecidos, inclusive os mais fecundos de seus úteros, foram e são
também as protagonistas políticas dessas re-evoluções nas quais nos prendemos e
nos soltamos.
Hoje
são elas, como vi recentemente no campo da Medicina, que passam a ser o a
“maioria”. Porém permanecem, para além de sua crônica desqualificação
trabalhista e profissional, alguns estigmas que nos fizeram e ainda fazem torná-las
ainda bruxas ou feiticeiras. Hoje
inventamos fogueiras sutis e menos visíveis do que na Inquisição para “queimar”
suas diferenças.
Os
tempos digitais não descobriram o seu potencial feminino não analógico. Ainda
somos mecânicos com elas. Ainda as violentamos em muitos países, em diferentes culturas, mas com as mesmas
castrações e esterilizações.
Ainda,
como Freud, em 1933, nos surpreendemos com as MULHERES e suas capacidades, para
além da tecelagem de um tapete ou malha, feita por Anna Freud, sua filha-discípula e
solteirona. Segundo Sadie Plant: “Sigmund
Freud fez a tentativa final de solucionar o enigma da feminilidade...”.
Ele
escreveu “que as mulheres só deram umas poucas contribuições às invenções e
descobertas da história da civilização...”. Porém, foi uma de suas analisandas,
a analista Marie Bonaparte, que lhe salvou a pele diante do nazi-fascismo a
peso de ouro de Napoleão Bonaparte.
Como
diriam Guattari e Deleuze, o pai da Psicanálise se manteve apenas preso a um “olhar
edipiano”, reducionista e até ridículo sobre as mulheres, inclusive as que
formavam os primordiais círculos psicanalíticos. Mas o doutor Freud era do
Século XIX.
As
mulheres, diriam os dois anti-edípicos e visionários pensadores franceses, são
muito mais rizomáticas, relvas que se espalham, do que árvores com uma única e
sedentária raiz fixada ao chão, masculino e machista. São Gaia, são Terra.
“Um rizoma não tem começo nem fim; está sempre
no meio, entre coisas”. As relvas, as epífitas, as samambaias e os bambus, que
não respeitam territórios fixos, não têm raízes, mas rizomas.
Podem
crescer e se multiplicar subterraneamente, assim agiram Emma Goldman, Rosa de
Luxemburgo, Zuzu Angel, Sonia Moraes Angel, e muitas outras guerreiras ou revolucionárias.
São, foram e serão sempre “subversivas”.
Elas estão mais próximas das Folhas das Folhas
da Relva do poeta Walt Whitman, que em sua orientação sexual divergente já as
elogiava e reconhecia como as dobras das quais, desdobradas, vinham e virão nascer
os grandes homens.
Nascemos
delas, delas ainda, todos e todas, descenderemos. E não será um processo de
serialização por reprodução assistida em laboratório que as descartarão em
futuro próximo. O seu útero ainda é sua maior, inigualável e insubstituível
força. Até mesmo quando tentamos castrá-lo, mesmo que virtualmente.
Por
isso, temos de buscar essas Mulheres Digitais e Mãe-trix que nos superarão para
o futuro. Isso se não forem reprimidas, violentadas, condicionadas e
aprisionadas em nossos modelos binários e binarizantes de macho e fêmea.
O
Pastor ainda funciona nessa visão estreita e preconceituosa – homem é homem,
índio é índio, negro é negro, mas os homo-sexuais não são e serão além de
coisas aberrantes e anormais, também coisas demoníacas...
Como
algumas mulheres. E o casamento entre diferenças pode ser o fim da humanidade. Para
impedir essas aberrações só a família, com a mulher como propriedade do homem,
pode combater e reprimir esses desviantes ou diferentes seres.
Somos
e continuaremos sendo, humanamente e demasiado, muito além das limitações a que
nossos séculos de doutrinações, sejam políticas, ideológicas, religiosas ou
mesmo científicas, tornaram redutíveis às nossas superfícies biológicas e
sexuais.
Não
podemos esquecer, por Deleuze e Guattari, que o Estado e seus mecanismos de
controle biopolítico agem por conversão dos fluxos moleculares e desinstitucionalizadores
em segmentos molares, novas instituições.
Portanto,
não estranhemos que entreguem os Direitos Humanos para quem os viola. É a
reterritorialização estatal de nossos potenciais e desejos de revoluções
micropolíticas e moleculares. Os discursos sobre estes direitos não mais os
efetivam, apesar de serem interdependentes, sem ativa participação das chamadas
minorias.
A
maior profundidade que podemos atingir não passa de nosso maior órgão do corpo
humano: a pele. Por isso devemos combater, todos os dias, essas pregações de
cunhos fundamentalistas e de gênero.
Somos
múltiplos, como as mulheres, somos plurais e podemos ser muitos e muitos Outros
em apenas um de nós mesmos. O poeta Pessoa não me deixa omitir ou negar.
E, docemente, peço que não reduzam esta afirmação ao seu
cunho apenas de prosa ou poesia, pois é sim “poesis”.
Afirmemos
o sentido de poesis como geração, ou melhor, gestação, de muitas formas de
Vida, para além da visão de Vidas Nuas. Façamos os resgates que o Feminino
Plural deve tomar em suas mãos e corpos para que a trans-formação de nosso
mundo continue em marcha e evoluindo. O Futuro está nas mãos e corpos das
filhas, das filhas das filhas de minhas filhas...
Destas
que herdarão o que semearmos agora, seja em direitos ou em exclusões e miséria,
é que devemos esperar, para além do modelo reality-show da Sociedade do
Espetáculo, a construção de outra “gramática civil”, outra indispensável
liberdade e cidadania. Outros caminhos, outras veredas e cartografias do viver
e re-existir.
Copyright/left,
a destra e a sinistra, jorgemarciopereiradeandrade 2013=2014 (favor citar o
autor e as fontes em republicações livres pela Internet e outros meios de
comunicação de massa)
LEITURAS
INDICADAS NO/PARA ALÉM DO TEXTO E DO CONTEXTO –
MIL
PLATÔS Capitalismo e Esquizofrenia - Gilles
Deleuze & Félix Guattari – Editora 34, Rio de Janeiro, RJ, 1995-1997.
MULHER
DIGITAL – O FEMININIO E AS NOVAS TECNOLOGIAS – Sadie Plant,
Editora Rosa dos Ventos, Rio de Janeiro, RJ, 1999.
LEIA(m)
TAMBÉM NO BLOG –
O
MARTELO NAS BRUXAS – COMO “QUEIMAR”, HOJE, AS DIFERENÇAS FEMININAS?
MULHERES
SANGUE E VIDA, PARA ALÉM DE SUA EXCLUSÃO HISTÓRICA.
TODO
ÚTERO É UM MUNDO.
EUGENIA,
COMO REALIZAR A CASTRAÇÃO E ESTERILIZAÇÃO DE MULHERES E HOMENS COM DEFICIÊNCIA?
http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/01/eugenia-como-realizar-castracao-e.htmlFonte: http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2013/03/mulheres-direitos-humanos-hoje-e-sua.html
Escrita Pré-Silábica-Atividades
Iniciando
o ano letivo, estou me deparando com aprendizes que estão no segundo
ano e ainda não automatizaram a sequência, escrita e leitura do
alfabeto.
A escrita e leitura passam por hipóteses e tempo de descobertas e construções.
Por isso fiz uma coletânea de atividades escritas com exemplificação desta fase do nível pré-silábico.
Jogos e registro são ótimas ferramentas para auxiliar os aprendizes na alfabetização.
Emília Ferreiro nos dá algumas orientações.Confira!
(Rosangela Vali)
Subdividida em dois níveis, nessa fase, a criança não traça o papel com a intenção de realizar o registro sonoro do que foi proposto para a escrita:
a) Nível 1 - Ela apresenta baixa diferenciação entre a grafia de uma palavra e outra, por isso costuma escrever palavras de acordo com o tamanho do que está representando. Seus traços são semelhantes entre si e, muitas vezes, nem ela consegue identificar o que escreveu - leitura instável. Algumas vezes, usa como estratégia o pareamento de desenhos com as palavras - para poder ler com mais segurança -, o que também pode caracterizar certa insegurança ao decidir que letras usar. Essa dificuldade acontece porque ela ainda não compreendeu a função da escrita e ainda confunde a escrita com desenhos.
b) Nível 2 - Embora já saiba que há uma quantidade mínima de caracteres e que seu emprego é necessário para a escrita, a criança ainda tenta criar diferenciações entre os grafismos produzidos, a partir do arranjo das letras que conhece (por poucas que sejam), mas sua escrita continua não analisável.
A escrita e leitura passam por hipóteses e tempo de descobertas e construções.
Por isso fiz uma coletânea de atividades escritas com exemplificação desta fase do nível pré-silábico.
Jogos e registro são ótimas ferramentas para auxiliar os aprendizes na alfabetização.
Emília Ferreiro nos dá algumas orientações.Confira!
(Rosangela Vali)
Subdividida em dois níveis, nessa fase, a criança não traça o papel com a intenção de realizar o registro sonoro do que foi proposto para a escrita:
a) Nível 1 - Ela apresenta baixa diferenciação entre a grafia de uma palavra e outra, por isso costuma escrever palavras de acordo com o tamanho do que está representando. Seus traços são semelhantes entre si e, muitas vezes, nem ela consegue identificar o que escreveu - leitura instável. Algumas vezes, usa como estratégia o pareamento de desenhos com as palavras - para poder ler com mais segurança -, o que também pode caracterizar certa insegurança ao decidir que letras usar. Essa dificuldade acontece porque ela ainda não compreendeu a função da escrita e ainda confunde a escrita com desenhos.
b) Nível 2 - Embora já saiba que há uma quantidade mínima de caracteres e que seu emprego é necessário para a escrita, a criança ainda tenta criar diferenciações entre os grafismos produzidos, a partir do arranjo das letras que conhece (por poucas que sejam), mas sua escrita continua não analisável.
Algumas sugestões de atividades para o nível pré-silábico:
★ Liste o nome de todas as crianças no quadro ou em cartazes.
★ Faça com que cada aluno identifique seu nome e, depois, o de cada colega, para que eles percebam que nomes maiores podem pertencer às crianças menores e vice-versa.
★ Classifique os nomes pelo som inicial, em ordem alfabética ou em galerias ilustradas com retratos ou desenhos.
★ Crie e aplique jogos com nomes (dominó, memória, boliche, bingo etc.).
★ Peça para a criançada fazer a contagem das letras e o confronto dos nomes.
★ Confeccione junto a eles gráficos de colunas com os nomes seriados em ordem de tamanho (número de letras).
★ Repita essas mesmas atividades, utilizando palavras do universo dos alunos, tais como rótulos de produtos ou recortes de revistas (propagandas, títulos, palavras conhecidas etc.).
★ Após desenvolver esse trabalho em sala de aula, aplique essas sugestões durante a sondagem.









Fonte: http://rosangelaprendizagem.blogspot.com.br/2013/03/escrita-pre-silabica-atividades.html
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